COGNIÇÃO E AFETO NA TOMADA DE DECISÃO SOBRE AGROTÓXICOS: UMA ANÁLISE NETNOGRÁFICA
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https://doi.org/10.17564/2316-3798.2026v10n2p139-157Publicado
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Resumo
Este estudo investiga os processos cognitivo-afetivos subjacentes à percepção de risco e à tomada de decisão sobre agrotóxicos em ambientes digitais. Utilizou-se a netnografia em duas camadas: (1) análise de conteúdo de 16 posts e 2 reels (alcance potencial de 4.617.971 seguidores), totalizando 2.803 comentários (451 unidades válidas); e (2) análise prototípica lexical (IRaMuTeQ) das publicações com maior engajamento. Os resultados revelam que o debate se organiza em seis eixos temáticos (percepção de risco, assimetria de informação, restrição orçamentária, desigualdade de acesso, ceticismo institucional e mecanismos cognitivo-afetivos) e em duas gramáticas de sentido: a aspiracional (focada em saúde e naturalidade) e a defensiva (focada em segurança e vigilância). Identificou-se que heurísticas de julgamento e vieses, como o framing “natural vs. químico”, disponibilidade, afeto (dread/nojo), confirmação e aversão à ambiguidade, explicam a polarização discursiva e o hiato entre a preferência declarada e a escolha efetiva do consumidor. Os achados indicam que o uso de sinais verificáveis (certificações e rastreabilidade) e comparações de limites de exposição deslocam o processamento do polo afetivo para o analítico, embora barreiras de preço e acesso reintroduzam concessões pragmáticas. Conclui-se que intervenções baseadas em arquitetura de escolha, incluindo nudges de confiança, repetição de sinais verificados e o uso estratégico de influenciadores, podem mitigar o ceticismo e favorecer comportamentos de menor exposição. O estudo reconhece limitações lexicais e sugere análises multimodais e painéis longitudinais como etapas futuras para a compreensão da dinâmica decisória em saúde pública.













